INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO NA GESTAÇÃO
A Infecção urinária é definida como a presença e a multiplicação de microorganismos no trato urinário. Constitui uma das alterações mais comuns que acometem a mulher durante a gestação, atingindo 10 a 20% das gestantes. A ITU cria várias situações doentias e contribui para a mortalidade materno-fetal.
ETIOLOGIA:
Como principal fator etiológico temos a Escherichia coli, que é o patógeno responsável por 80% das Infecções urinárias. A ascensão das bactérias se faz por via ascendente, a partir da uretra, embora se cite as vias hematogênica e linfática.
FATORES PREDISPONENTES:
A mulher é mais susceptível a ITU, por sua própria anatomia (uretra mais curta e proximidade do meato uretral à vagina e ao ânus). Durante a gestação, ocorrem alterações no sistema urinário que predispõem ainda mais a infecção, como a mudança de posição e do tônus da bexiga, as mudanças que ocorrem nos ureteres e a presença de glicose na urina, deixando a uretra um ambiente mais propício à proliferação de bactérias. Outro fator é que durante a gestação a resistência da mulher fica mais baixa, sendo mais fácil o ataque de qualquer microrganismo.
FORMAS CLÍNICAS:
BACTERIÚRIA ASSINTOMÁTICA:
Na gestação, a incidência é em torno de 4 a 7 %, sendo definida como a presença de proliferação bacteriana na urina, em grávida que não apresenta sintomas ou queixas urinárias, provavelmente porque não está ocorrendo lesão e agressão à mucosa do trato urinário.
INFECÇÃO URINÁRIA BAIXA:
É também chamada de cistite. A contaminacão e agressão bacteriana são restritas à bexiga. Caracteriza-se, principalmente por ardência ao urinar ( disúria), urgência para urinar, frequência aumentada ( polaciúria), dor suprapúbica e, algumas vezes, sangue ao término da micção.
INFECÇÃO URINÁRIA ALTA (PIELONEFRITE AGUDA)
É a infecção urinária que ocorre no rim. Ocorre em aproximadamente 2% das grávidas, geralmente no último trimestre. Apresenta-se clinicamente, com início súbito, com febre, calafrios, dor lombar intensa, náuseas e vômitos.
As toxinas liberadas pelas bactérias desse tipo mais grave de ITU podem causar contrações do útero, levando ao trabalho de parto prematuro, abortamentos, hipertensão arterial, morte do bebê e até mesmo da mãe , quando a infecção se torna severa e generalizada.
PIELONEFRITE CRÔNICA
É causada pela fibrose e cicatrização do tecido medular e cortical , levando a insuficiência renal. Geralmente não apresentam sintomas, mas podem estar acompanhadas de hipertensão arterial.
DIAGNÓSTICO
• Para toda gestante deve-se sempre solicitar de 3 em 3 meses exames de urina e urocultura.
• No parcial de urina, o sedimento urinário apresenta um número aumentado de leucócitos, acompanhados de sangue e albumina na urina.
• Considera-se infecção urinária quando a cultura de urina é positiva, ou seja, com mais de 100.000 bactérias por milímetro de urina.O diagnóstico de lesões do rim na ITU é feito pela ultrassonografia, que permite a avaliação anatômica do rim, podendo mostrar também cálculos e obstruções.Poderá ocorrer que a paciente tenha sinais clínicos de ITU, mas as uroculturas sejam negativas. Quando isto ocorrer deve-se procurar outras infecções por outros microorganismos como Chlamydia, Herpes, Cândida albicans, Tricomonas e outros.
TRATAMENTO:
O tratamento deve basear-se no antibiograma. O médico deve escolher antibióticos que não sejam prejudiciais ao feto e a medicação deve ser usada pelo menor tempo possível, mas num período suficiente para ter a segurança de um tratamento adequado e eficaz.
Nas gestantes que tem ITU recorrente, pode-se usar medicações preventivas por um longo período.
PREVENÇÂO:
• Pré-natal adequado;
• Ingerir bastante água, pelo menos 2 litros ao dia;
• Ter uma higiene cuidadosa, usando sempre o chuveirinho após as evacuações. Quando não for possível, a limpeza deve ser ântero-posterior ( da frente para trás) para evitar a contaminação fecal.
• Lavar as mãos antes e após utilizar o banheiro;
• Nas micções, procurar sempre o esvaziamento completo da bexiga;
• Ir ao banheiro com frequência, a cada 2 ou 3 horas, e principalmente após as relações sexuais.
• Durante o periodo menstrual, os absorventes devem ser trocados várias vezes ao dia, pois o sangue menstrual é um meio de proliferação bacteriana.